Clarice Lispector, fotografada por Bluma Chafir Wainer
, A hora e a vez de Clarice Lispector. IMS Clarice Lispector, 2017. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2017/12/04/a-hora-e-a-vez-de-clarice-lispector/. Acesso em: 27 abril 2026.
Em 2017, comemoram-se os quarenta anos de A hora da estrela, último livro escrito por Clarice Lispector e publicado no ano de sua morte. O evento “Hora de Clarice”, organizado anualmente pelo IMS para celebrar o aniversário da escritora (10 de dezembro), homenageará esse legado com uma programação diversa em suas sedes. Além disso, outras instituições promoverão leituras, lançamentos e apresentações dentro e fora do Brasil.
Um dos destaques do projeto é a leitura de A hora da estrela dirigida por Bruno Lara Resende, com os atores Ana Carina, Charles Fricks, Marcio Vito e Raquel Iantas. A apresentação será no dia 10 de dezembro, no auditório do IMS do Rio de Janeiro. No IMS de Poços de Caldas, o professor Sérgio Roberto Montero Aguiar falará sobre a relação de Maria Bethânia com a obra de Clarice, utilizando áudios com fragmentos declamados em shows e livros, discos e projeção de imagens. Em São Paulo, haverá um encontro com a escritora e tradutora Idra Novey, que verteu A paixão segundo G.H. para o inglês.
Esta edição reafirma a projeção cada vez maior da obra de Clarice no mundo. Um dos marcos mais recentes foi a publicação de The Complete Stories pela editora norte-americana New Directions, considerado pelo New York Times como um dos cem melhores livros de 2015 e vencedor do prêmio PEN de tradução. Em 2017, outra tradução de fôlego veio a público, desta vez na França: a casa Des Femmes-Antoinette Fouque publicou Nouvelles – Édition Complete, reunindo 85 textos.
“Hora de Clarice” faz parte desse grande movimento de divulgação internacional da obra clariceana. Nesta edição, entre as atividades fora do Brasil estão o lançamento de A paixão segundo G.H. na Turquia (pela editora MonoKL) e uma celebração na embaixada brasileira na Holanda, onde também se publicará uma tradução do romance. Além disso, em Portugal, também no dia 10, será lançada Clarice, uma biografia, escrita por Benjamin Moser.
Ao passo que cresce a notoriedade no exterior, o reconhecimento em terras nacionais se fortalece ainda mais. Uma das autoras mais amadas do Brasil, além de objeto de extensa e fértil fortuna crítica, Clarice desperta muito interesse, como se pode notar pelos diversos eventos programados para acontecer na semana da “Hora de Clarice”, em várias regiões do país, de São Paulo a Caraúbas, na Universidade Federal Rural do Semi-Árido.
Ver também
por Maria Clara Bingemer
Existe um aspecto dos escritos claricianos que é – parece-nos – menos observado. Trata-se da sensibilidade social e política da escritora. [...] Clarice deixa perceber em seus escritos – romances, crônicas ou contos – uma verdadeira abertura ao outro e sua diferença e sobretudo sua vulnerabilidade.
por Equipe IMS
No dia 10 de dezembro, o IMS Rio celebra o dia do nascimento de Clarice Lispector. Neste ano, iremos apresentar, em única exibição, às 18hs, o filme curta-metragem Perto de Clarice, de João Carlos Horta, de 1982, em nova versão digitalizada, a partir do original em 35mm preservado pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv). Após a exibição do filme, haverá uma conversa entre a escritora Heloisa Buarque de Holanda, que esteve envolvida na realização do filme e é viúva do diretor, e Teresa Montero, autora da mais recente biografia da escritora, À procura da própria coisa (Rocco, 2021), intermediada pelo consultor de literatura do IMS, o poeta Eucanaã Ferraz.
por Marina Colasanti
O dia em que conheci Clarice não foi o mesmo em que ela me conheceu. Eu, toda adoração, observando-a, ela, sem motivo algum para pousar o olhar em mim. Saindo juntos da redação do Jornal do Brasil, o jornalista Yllen Kerr, grande amigo meu, disse que estava indo visitar Clarice e perguntou se eu queria ir. Queria muito, muitíssimo!
por Betty Bernardo Fuks
Benjamin Moser, um dos mais importante biógrafos de Clarice Lispector, declarou numa entrevista que uma de suas ambições ao escrever Why This World, publicado nos Estados Unidos e traduzido como Clarice, uma Biografia, era o de promover um espaço ao questionamento de um tema muito pouco trabalhado por críticos literários, comentadores e biógrafos – a “judeidade” da escritora. Isso porque a grande maioria deles se limita à refletir sobre o tema da brasilidade, “como se fosse preciso escolher, entre ser judia e ser brasileira”.
por Cicero Cunha Bezerra
Michel de Certeau, em sua La fable mystique, aborda um aspecto importante na relação entre idiotice e santidade nos primeiros séculos, em particular, na literatura cristã, a saber: um modo de isolamento na multidão. A idiotice, sob forma da loucura, vai para a multidão e, mais do que isso, se instaura como provocação, transgressão do campo dos “bem-pensantes”.
por Eliane Robert Moraes
Escuridão é uma palavra oca e nunca se sabe bem o que cabe dentro dela. De tal forma suas dimensões são indeterminadas que talvez se possa dizer até mesmo que nela cabe tudo e não cabe nada, pois, sendo um imenso celeiro de paradoxos, ao vazio primordial que a caracteriza soma-se imediatamente a qualidade equívoca da desmedida. Atributos que, assim pactuados, ganham particular densidade quando lavrados pelas mãos da autora de A maçã no escuro.