IMS, Equipe. Dias de Clarice em Washington. IMS Clarice Lispector, 2024. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2024/09/10/dias-de-clarice-em-washington/. Acesso em: 12 maio 2026.
Desde 2015, a equipe de Literatura do Instituto Moreira Salles vem produzindo material audiovisual acerca da vida e da obra de Clarice Lispector. O filme Dias de Clarice em Washington (28:38) faz parte desse esforço de pesquisa e divulgação. Nesse mais recente trabalho, você encontrará imagens – filmagem e fotografia – inteiramente inéditas.
Até então, contávamos com apenas dois registros filmados da autora: a célebre entrevista para a tv Cultura (1977) e as raras imagens da escritora em seu apartamento, no Leme, também durante uma entrevista, para o programa Os mágicos, da TVE (1976), estas últimas incorporadas em Clarice Lispector – A descoberta do mundo (2022), filme da diretora Taciana Oliveira. Tais registros têm em comum o contexto televisivo e ambos foram realizados em períodos aproximados (a autora de A hora da estrela morreu em dezembro de 1977).
Dias de Clarice em Washington captura um momento bastante diferente e decisivo da vida e da obra da escritora, quando vivia na capital norte-americana com a família, entre 1952 e 1959. Além de expressivo número de fotografias inéditas – que registram o ambiente doméstico e o convívio com amigos – há imagens preciosas filmadas durante evento público, no qual aparecem a escritora, seu marido, Mauri Gurgel Valente, o filho Paulo, além de amigos do casal. Trata-se de um breve filme (06:59) colorido, gravado em película (não há registro da autoria), descoberto em 2023 no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, RJ.
Dias de Clarice em Washington tem direção de Eucanaã Ferraz, Consultor de Literatura do IMS. A montagem é assinada por Laura Liuzzi e a pesquisa esteve a cargo de Bruno Cosentino, da equipe de Literatura do IMS.
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por Augusto Ferraz
Eu morri. Descobri isso quando, um dia, na calçada da Praça Maciel Pinheiro, ergui a cabeça, abri os olhos e avistei-me morto, ali, na calçada da praça, o sobrado do outro lado da rua. Meu coração despedaçado dentro do peito, o sobrado da rua do Aragão, 387, onde, no segundo andar, Clarice Lispector viveu uma infância feliz, aqui no Recife, apesar das dores do mundo e de viver e sentir, principalmente, as dores de uma doença implacável que um dia arrancaria Mania, a sua mãe, de perto de si.
por Bruno Cosentino
Clarice Lispector será homenageada no estande do Brasil na 44ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que acontecerá entre os dias 24 de abril e 14 de maio.
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Organizado pela professora Claire Williams, o Colóquio After Clarice: Lispector’s Legacy reunirá os maiores especialistas da obra clariceana
por Equipe IMS
Como convite para o público adentrar o universo clariceano, que dialoga com a infância em seus textos voltados para o público adulto, a equipe de Educação do IMS Rio convidou Adélia Oliveira para ler um trecho do conto "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector. Tal universo é profícuo ao nos convidar a adentrar paisagens internas de suas personagens num trabalho peculiar e instigante com a linguagem.
por Šárka Grauová
É em Calibre .475 Express que se encontra a fotografia da pigmeia de “quarenta e cinco centímetros, madura, negra, calada”, posando ao lado de Prêtre. A legenda que acompanha a imagem reforça o dispositivo da visão que o conto de Clarice problematiza. O gesto é visível: a menina segura um papel na mão, e o explorador está ao seu lado. Mas o que a imagem mostra é apenas o verso da fotografia, não o retrato de Prêtre. O conteúdo preciso da foto permanece invisível ao espectador e precisa ser fornecido pela legenda para produzir o efeito desejado — o de que a mulher valorizaria o explorador, como quem guarda a imagem de uma figura admirada. O sentido do gesto, portanto, não nasce da fotografia, mas do discurso que a acompanha.
por Elizama Almeida
Trabalhando em uma prensa manual, João Cabral convida Clarice para estrear na “O livro inconsútil”, sua pequena editora.