No Hora de Clarice 2025, celebraremos nas vozes e atuações das crianças, o livro infanto-juvenil A vida íntima de Laura, publicado por Clarice Lispector em 1974. Neste filme, seis crianças recontam, atuam, ilustram e co-dirigem a história da galinha Laura, de seu marido Luís e de seu filho Hermany no galinheiro de Dona Luísa.
O curta-metragem é fruto de um trabalho que aconteceu durante o ano letivo de 2025 e envolveu profissionais do Departamento de Literatura e alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, unindo educação, literatura e arte, em três etapas. Na fase da preparação, cada criança recebeu um exemplar do livro (doados pela editora Rocco) e participou de uma atividade de leitura compartilhada; num segundo momento, discutiram a história com seus pais e mães em casa; já na terceira etapa – criativa e artística – elas fizeram um trabalho de encenação de algumas passagens da história e de ilustração de três cenas. São esses os desenhos que dão colorido ao filme em uma releitura inédita da história da galinha Laura.
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Mais ou menos fantásticas em seus enredos, essas histórias infantis revelam narradoras que, despidas quase por completo da instância ficcional, em muito se assemelham à autora: são mães, escritoras, assinam “C.L.” ou até mesmo dizem se chamar Clarice. Assim, se há nessas narradoras uma postura horizontal em que se pressupõe o respeito às particularidades da infância, nesse mesmo movimento flagra-se também o desejo de se tornar um pouco mais criança.
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Nas entrevistas feitas por Clarice há uma espécie de inadequação no que diz respeito à técnica jornalística. Com Vinicius de Moraes, sua primeira abordagem soa como provocação: “Vinicius, você amou realmente alguém na vida?”