No dia 10 de dezembro, o Instituto Moreira Salles promove a quarta edição de Hora de Clarice, evento que registra o aniversário de Clarice Lispector (1920-1977).
Como parte da comemoração, o IMS produziu um vídeo-depoimento de Paulo Gurgel Valente, filho da escritora, que conversa com Eucanaã Ferraz e Elizama Almeida e relembra, por exemplo, as personalidades que frequentavam a sua casa e o primeiro livro que leu da mãe.
[...] por toda a obra de Clarice se manifesta uma deslumbrada – quase primordial, inaugural, edênica – visão do gênero, da divisão homem-mulher. Nota-se um fascínio assustado de haver no mundo um homem-macho-animal, como lemos por exemplo no conto “O búfalo”, e também nesse outro conto sobre a masculinidade fantásmica e monstruosa que é “O jantar”.
Passei um fim de semana inesquecível em Cabo Frio, hospedada por Scliar, que pintou dois retratos meus. O sobrado de Scliar é uma beleza mesmo. Cabo Frio inspira Scliar. Perguntei-lhe sobre tanta criatividade.
Conceito pouco conhecido em português, desedição (unediting) é menos uma teoria e mais uma forma prática que dá apoio a casos editoriais complexos, como é o da publicação de Um sopro de vida, romance póstumo de Clarice Lispector, organizado por Olga Borelli. O que se quer com a desedição é desfazer a ilusão de transparência que o livro pronto, acabado e linear, com uma narrativa minimamente estabilizada, transmite aos leitores.
Nas entrevistas feitas por Clarice há uma espécie de inadequação no que diz respeito à técnica jornalística. Com Vinicius de Moraes, sua primeira abordagem soa como provocação: “Vinicius, você amou realmente alguém na vida?”