Enquanto os cariocas se preparam para aproveitar o feriadão, juntando o fim de semana com o Dia da Consciência Negra, o St. Peter’s College, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mergulha, nos dias 17 e 18, em uma esmagadora programação de homenagem a Clarice Lispector pelos 40 anos de sua morte.
Organizado pela professora Claire Williams, o Colóquio After Clarice: Lispector’s Legacy reunirá os maiores especialistas da obra da autora de A paixão segundo GH para discutir uma abrangente escala de assuntos.
Ao contar com acadêmicos que traduziram a obra clariciana, o Colóquio pretende jogar luzes sobre as diferentes formas de percepção dos tradutores para línguas diversas. Assunto que dará pano para as mangas.
Não ficarão de fora do encontro artistas que interpretaram Clarice, personagem ou obra. Reunindo professores de Berlim a Pequim, passando por estudiosos da Universidade do Minho e da Universidade Federal do Ceará, e, claro, contando com vários professores da casa, o After Clarice também ouvirá especialistas a respeito da política editorial em torno da obra da autora homenageada, assim como não perderá de vista a Clarice Lispector cronista que escrevia para garantir a sobrevivência.
“Escrever é fulgurar”, afirmou Otto Lara Resende no perfil que fez da escritora. É isso, fulgurar, que Clarice fará no outono inglês de Oxford.
Interessados podem ver a programação no site https://afterclarice.wordpress.com/
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O filme Dias de Clarice em Washington captura um momento bastante diferente e decisivo da vida e da obra da escritora, quando vivia na capital norte-americana com a família, entre 1952 e 1959. Além de expressivo número de fotografias inéditas – que registram o ambiente doméstico e o convívio com amigos – há imagens preciosas filmadas durante evento público, no qual aparecem a escritora, seu marido, Mauri Gurgel Valente, o filho Paulo, além de amigos do casal.
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É em Calibre .475 Express que se encontra a fotografia da pigmeia de “quarenta e cinco centímetros, madura, negra, calada”, posando ao lado de Prêtre. A legenda que acompanha a imagem reforça o dispositivo da visão que o conto de Clarice problematiza. O gesto é visível: a menina segura um papel na mão, e o explorador está ao seu lado. Mas o que a imagem mostra é apenas o verso da fotografia, não o retrato de Prêtre. O conteúdo preciso da foto permanece invisível ao espectador e precisa ser fornecido pela legenda para produzir o efeito desejado — o de que a mulher valorizaria o explorador, como quem guarda a imagem de uma figura admirada. O sentido do gesto, portanto, não nasce da fotografia, mas do discurso que a acompanha.
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O dia em que conheci Clarice não foi o mesmo em que ela me conheceu. Eu, toda adoração, observando-a, ela, sem motivo algum para pousar o olhar em mim. Saindo juntos da redação do Jornal do Brasil, o jornalista Yllen Kerr, grande amigo meu, disse que estava indo visitar Clarice e perguntou se eu queria ir. Queria muito, muitíssimo!