Enquanto os cariocas se preparam para aproveitar o feriadão, juntando o fim de semana com o Dia da Consciência Negra, o St. Peter’s College, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mergulha, nos dias 17 e 18, em uma esmagadora programação de homenagem a Clarice Lispector pelos 40 anos de sua morte.
Organizado pela professora Claire Williams, o Colóquio After Clarice: Lispector’s Legacy reunirá os maiores especialistas da obra da autora de A paixão segundo GH para discutir uma abrangente escala de assuntos.
Ao contar com acadêmicos que traduziram a obra clariciana, o Colóquio pretende jogar luzes sobre as diferentes formas de percepção dos tradutores para línguas diversas. Assunto que dará pano para as mangas.
Não ficarão de fora do encontro artistas que interpretaram Clarice, personagem ou obra. Reunindo professores de Berlim a Pequim, passando por estudiosos da Universidade do Minho e da Universidade Federal do Ceará, e, claro, contando com vários professores da casa, o After Clarice também ouvirá especialistas a respeito da política editorial em torno da obra da autora homenageada, assim como não perderá de vista a Clarice Lispector cronista que escrevia para garantir a sobrevivência.
“Escrever é fulgurar”, afirmou Otto Lara Resende no perfil que fez da escritora. É isso, fulgurar, que Clarice fará no outono inglês de Oxford.
Interessados podem ver a programação no site https://afterclarice.wordpress.com/
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por Yudith Rosenbaum
A palavra “infamiliar” é um neologismo que Clarice Lispector utilizou em vários momentos de sua obra. O vocábulo não está dicionarizado na língua portuguesa e não se pode afirmar que a autora seja a primeira a criá-lo na literatura brasileira. No entanto, ao mencionar a palavra “infamiliar” ao menos dezesseis vezes, seja nos romances, seja em contos e crônicas, a autora faz desse significante singular um objeto de maior atenção.
por Maria Clara Bingemer
Existe um aspecto dos escritos claricianos que é – parece-nos – menos observado. Trata-se da sensibilidade social e política da escritora. [...] Clarice deixa perceber em seus escritos – romances, crônicas ou contos – uma verdadeira abertura ao outro e sua diferença e sobretudo sua vulnerabilidade.
por Elizama Almeida
Dentre os itens que compõem o Acervo Clarice Lispector, que se encontra no IMS desde 2004, estão dois quadros pintados pela autora
por Victor Heringer
O lustre, segundo romance de Clarice Lispector, publicado em 1946, ganhou recente tradução para o inglês, realizada por Benjamin Moser e Magdalena Edwards.
por Bruno Cosentino
A segunda parte dos originais manuscritos de Um sopro de vida foi entregue pelo filho da escritora, Paulo Gurgel Valente, para ser incorporado ao Acervo Clarice Lispector
por Antonio Xerxenesky
Clarice deixou vários rascunhos para cálculos de respostas fornecidas pelo I Ching. Algumas das perguntas estão rabiscadas, como “Qual é o meu futuro de um modo geral?”