Clarice Lispector será homenageada no estande do Brasil na 44ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que acontecerá entre os dias 24 de abril e 14 de maio.
O projeto prevê uma exposição multi-linguagens em torno da escritora brasileira, composta por um grande painel com sua imagem, biografia e fragmentos de sua obra; livros à venda em edições para português e espanhol; projeção de vídeos com entrevistas sobre ela; além da réplica de sua estátua, cujo original se encontra na pedra da praia do Leme, no Rio de Janeiro, ao lado da qual os visitantes poderão tirar fotos.
No dia 5 de maio, dedicado ao Brasil, o estande ainda promoverá uma leitura de diálogos da autora por cinco atores argentinos, ao que se seguirá uma sessão de interpretação de seus textos pela atriz Luísa Kuliok, em auditório para até mil pessoas.
*Foto: Fotógrafo não identificado/ Arquivo Clarice Lispector/ IMS
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Em 1970, Clarice Lispector começou a escrever a obra que viria a ser chamada de Água viva.Publicado no final de agosto de 1973 pela Artenova, reproduz-se a seguir um manuscrito
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Clarice Lispector passou a infância em Recife, mas aos 15 anos se mudou com o pai e as duas irmãs para o Rio de Janeiro. Foi na então capital federal que a escritora viveu a juventude e o início da vida adulta: concluiu o ensino médio, se formou na faculdade de direito, teve as primeiras experiências profissionais na imprensa, se casou e, em 1943, lançou seu primeiro livro Perto do coração selvagem.
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Além de confirmar o valor do gênero biográfico como meio privilegiado de atender às reivindicações de um público curioso sobre o passado de personalidades famosas, Teresa Montero desafia as convenções do gênero, ao reconstituir a vida familiar, as experiências pessoais, as amizades e o processo de criação de Clarice Lispector, uma autora que, com todas as suas forças, fez existir a sua vocação para a literatura como fatalidade e salvação.
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A frequente alusão às empregadas domésticas no ambiente urbano de suas crônicas demonstra o que é uma realidade para várias famílias de classe média no país: incorporada ao ambiente íntimo da casa na condição de um “outro domesticado”, a empregada doméstica constitui a relação mais duradoura, e pessoal, que um membro da classe média se permite estabelecer com a pobreza.
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No centro do conto “A menor mulher do mundo” há a remissão a uma fotografia que teria sido publicada em reportagem sobre uma expedição de um explorador à África Equatorial em um “suplemento dominical”. O dado poderia ser tomado como invenção ficcional, mas a existência de uma suposta reportagem é reforçada por “A explicação inútil”, texto publicado no “Fundo de gaveta” de A legião estrangeira, de 1964, sobre a gênese dos contos que compunham o volume anterior da autora, Laços de família, de 1960.