Os estudos acadêmicos sobre Clarice Lispector continuam a se desenvolver em universidades estrangeiras. Em 2017, foi realizado, no St. Peter’s College, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, um amplo seminário em que diversos aspectos da vida e obra da escritora foram contemplados.
Sob o título After Clarice: Lispector’s Legacy, professores, artistas e tradutores de diferentes países e disciplinas trataram de questões como a origem judia da autora, identidade, classe, raça, gênero, além de políticas de publicação e marketing das novas edições e repercussão junto aos leitores.
Entre os convidados, Paloma Vidal, da Universidade de São Paulo, apresentou a conferência Learning Spanish with Clarice, na mesma mesa em que esteve presente Katrina Dodson, tradutora para o inglês do volume Todos os contos. O professor da Universidade do Minho, Carlos Mendes de Souza, por outro viés, expôs a relação da obra de Clarice com a música.
No entanto, as palestras não ficaram restritas às salas da academia e serão reunidas no livro After Clarice: Reading Lispector’s Legacy in the Twenty-First Century, a ser lançado no início de 2019, anunciando assim uma série de eventos que acontecerão no centenário de nascimento de Clarice, em 2020. Por exigência da tradicional universidade inglesa, os colaboradores devem entregar os estudos até dezembro deste ano. O Instituto Moreira Salles contribuirá com um texto sobre a trajetória do arquivo da escritora, hoje dividido entre esta instituição e a Fundação Casa de Rui Barbosa.
A conferência e a publicação têm organização de Adriana Jacobs e Claire Williams, ambas professoras de literatura da Universidade de Oxford. A arte gráfica da capa é de autoria de Mariana Valente, neta de Clarice.
A partir de diferentes ângulos e de um amplo material — que inclui, além da literatura, jornalismo, entrevistas, relações com a música e as artes plásticas — o volume busca assim reconhecer criticamente o lugar ocupado pela escritora (primeira brasileira a ter seus livros publicados na coleção de clássicos modernos da editora Penguin) na literatura ocidental do século XX.
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por Elizama Almeida
Conceito pouco conhecido em português, desedição (unediting) é menos uma teoria e mais uma forma prática que dá apoio a casos editoriais complexos, como é o da publicação de Um sopro de vida, romance póstumo de Clarice Lispector, organizado por Olga Borelli. O que se quer com a desedição é desfazer a ilusão de transparência que o livro pronto, acabado e linear, com uma narrativa minimamente estabilizada, transmite aos leitores.
por Equipe IMS
No dia 10 de dezembro, o IMS Rio celebra o dia do nascimento de Clarice Lispector. Neste ano, iremos apresentar, em única exibição, às 18hs, o filme curta-metragem Perto de Clarice, de João Carlos Horta, de 1982, em nova versão digitalizada, a partir do original em 35mm preservado pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv). Após a exibição do filme, haverá uma conversa entre a escritora Heloisa Buarque de Holanda, que esteve envolvida na realização do filme e é viúva do diretor, e Teresa Montero, autora da mais recente biografia da escritora, À procura da própria coisa (Rocco, 2021), intermediada pelo consultor de literatura do IMS, o poeta Eucanaã Ferraz.
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O concerto Outra hora da estrela teve direção de Eucanaã Ferraz, e performance de Jussara Silveira, Marcelo Costa, Muri Costa e Bebe Kramer. A narração foi de João Miguel
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Em 1970, Clarice Lispector começou a escrever a obra que viria a ser chamada de Água viva.Publicado no final de agosto de 1973 pela Artenova, reproduz-se a seguir um manuscrito
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As crônicas de Clarice Lispector foram reunidas em livro pela primeira vez em 1984, em A descoberta do mundo, volume organizado por Paulo Gurgel Valente, filho da autora, que alinhou em ordem cronológica 468 textos publicados no Jornal do Brasil entre os anos 1967 e 1973. Li e reli aquelas quase oitocentas páginas muitas vezes...
por Sônia Roncador
A frequente alusão às empregadas domésticas no ambiente urbano de suas crônicas demonstra o que é uma realidade para várias famílias de classe média no país: incorporada ao ambiente íntimo da casa na condição de um “outro domesticado”, a empregada doméstica constitui a relação mais duradoura, e pessoal, que um membro da classe média se permite estabelecer com a pobreza.