No dia 10 de dezembro, o IMS Rio celebra o dia do nascimento de Clarice Lispector. Neste ano, iremos apresentar, em única exibição, às 18hs, o filme curta-metragem Perto de Clarice, de João Carlos Horta, de 1982, em nova versão digitalizada, a partir do original em 35mm preservado pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv).
O filme inicia com a oração fúnebre hebraica e imagens do velório e do enterro de Clarice Lispector, repleto de amigos e familiares, no Cemitério Israelita, um dia após o Shabat do ano de 1977. E termina com Clarice dizendo para a câmera da televisão: “Agora eu morri, vamos ver se eu renasço de novo”.
Tendo em vista o número expressivo de jovens leitores, traduções em língua estrangeira e estudos dedicados a sua obra, podemos dizer que nesses 45 anos que se seguiram à sua morte, Clarice vem renascendo – “de novo” – muitas vezes. No próximo dia 10, mais uma vez, o Hora de Clarice será celebrado em várias partes do mundo, em sua memória. A escritora completaria 102 anos.
Durante os doze minutos do curta-metragem, em torno da presença, em imagem e som, de Clarice (em raro registro audiovisual para a TV Cultura meses antes de sua morte) se juntam depoimentos em off de amigos como Hélio Pellegrino, Nélida Piñon e do filho Paulo Gurgel Valente; leituras de trechos de sua obra por Ana Cristina Cesar; tomadas do Leme, bairro onde a autora viveu e morreu no Rio de Janeiro. Esses e outros fotogramas emocionalmente pontuados, aqui e ali, pela música de Chopin e pelo canto de Caetano Veloso.
Após a exibição do filme, haverá uma conversa entre a escritora Heloisa Buarque de Holanda, que esteve envolvida na realização do filme e é viúva do diretor, e Teresa Montero, autora da mais recente biografia da escritora, À procura da própria coisa (Rocco, 2021), intermediada pelo consultor de literatura do IMS, o poeta Eucanaã Ferraz.
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