Desde 2015, a equipe de Literatura do Instituto Moreira Salles vem produzindo material audiovisual acerca da vida e da obra de Clarice Lispector. O filme Dias de Clarice em Washington (28:38) faz parte desse esforço de pesquisa e divulgação. Nesse mais recente trabalho, você encontrará imagens – filmagem e fotografia – inteiramente inéditas.
Até então, contávamos com apenas dois registros filmados da autora: a célebre entrevista para a tv Cultura (1977) e as raras imagens da escritora em seu apartamento, no Leme, também durante uma entrevista, para o programa Os mágicos, da TVE (1976), estas últimas incorporadas em Clarice Lispector – A descoberta do mundo (2022), filme da diretora Taciana Oliveira. Tais registros têm em comum o contexto televisivo e ambos foram realizados em períodos aproximados (a autora de A hora da estrela morreu em dezembro de 1977).
Dias de Clarice em Washington captura um momento bastante diferente e decisivo da vida e da obra da escritora, quando vivia na capital norte-americana com a família, entre 1952 e 1959. Além de expressivo número de fotografias inéditas – que registram o ambiente doméstico e o convívio com amigos – há imagens preciosas filmadas durante evento público, no qual aparecem a escritora, seu marido, Mauri Gurgel Valente, o filho Paulo, além de amigos do casal. Trata-se de um breve filme (06:59) colorido, gravado em película (não há registro da autoria), descoberto em 2023 no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, RJ.
Dias de Clarice em Washington tem direção de Eucanaã Ferraz, Consultor de Literatura do IMS. A montagem é assinada por Laura Liuzzi e a pesquisa esteve a cargo de Bruno Cosentino, da equipe de Literatura do IMS.
Ver também
por Paulo Gurgel Valente
Acredito que Clarice e eu compartilhávamos uma sensação comum: os objetos não são inanimados, ao contrário, têm uma vida secreta. Não sei se o leitor já fez a experiência de, à noite, desligar as luzes de sua sala e, aos poucos, observar que seus olhos se adaptam ao es- curo e finalmente você consegue perceber a presença viva das coisas.
por Lilian Hack
A consistência destas imagens é aquela da árvore, matéria vegetal, a madeira sendo o suporte destas duas pinturas. Num dos quadros as linhas verticais visivelmente seguem os desenhos oferecidos pela madeira, e criam uma espacialidade flácida e dura ao mesmo tempo.
por Equipe IMS
O novo website de Clarice Lispector, lançado no centenário da escritora, em 10 de dezembro de 2020, foi premiado, no último mês de dezembro, com o segundo lugar na categoria de melhor Design Digital, do Brasil Design Award.
por Eucanaã Ferraz
As crônicas de Clarice Lispector foram reunidas em livro pela primeira vez em 1984, em A descoberta do mundo, volume organizado por Paulo Gurgel Valente, filho da autora, que alinhou em ordem cronológica 468 textos publicados no Jornal do Brasil entre os anos 1967 e 1973. Li e reli aquelas quase oitocentas páginas muitas vezes...
por João Camillo Penna
A obra de Clarice Lispector gira em torno de duas noções: o símbolo e a coisa. A coisa, a física e o símbolo, a metafísica; a coisa, a imanência, e o símbolo a transcendência; a coisa, o corpo, e o símbolo, a linguagem; a coisa, a existência, e o símbolo, o dizer; a coisa o acontecimento, e o símbolo a forma de dar a ler a não-simbolizável coisa.
por Alexandre Nodari
Tornou-se lugar comum dizer que a escrita de Clarice busca ultrapassar o limite da linguagem, que a autora nomeia como “it”, “núcleo”, “objeto”, “coisa”, “indizível”, “silêncio”