, Clarice na França. IMS Clarice Lispector, 2017. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2017/10/19/clarice-na-franca/. Acesso em: 17 março 2026.
Ao lançar em 2015, nos Estados Unidos, a reunião inédita em livro de todos os contos de Clarice Lispector, o pesquisador Benjamin Moser dava um novo passo em sua incansável tarefa de divulgar no exterior a obra da escritora brasileira, que mereceu dele uma bela e aclamada biografia. The Complete Stories (Editora New Directions) conquistou público e crítica, e foi eleito pelo jornal The New York Times como um dos cem melhores livros publicados naquele ano. Em 2016, a Rocco, casa editorial de Clarice, lançou, para alegria dos numerosos fãs, a edição brasileira da obra, intitulada Todos os Contos. Agora, neste 19 de outubro, a reunião de 85 textos – que começa no primeiro conto publicado por ela aos 19 anos – atravessa uma nova fronteira, chegando às livrarias da França sob o título Nouvelles – Édition Complete, publicado pela Des Femmes-Antoinette Fouque.
A edição – oito tradutores fizeram a versão francesa a partir dos textos brasileiros – ajuda a consolidar ainda mais a presença de Clarice na França, país que já tem muitos admiradores da obra da autora, divulgada principalmente pela ensaísta e crítica literária Hélène Cixous. Um atrativo para os leitores franceses é que dez destes contos ainda permaneciam inéditos por lá. E como mais uma prova de que a paixão só aumenta, a França promoverá este ano o Hora de Clarice, evento criado pelo Instituto Moreira Salles para celebrar o aniversário da escritora, em 10 de dezembro.
Ver também
por Clarice Lispector
Passei um fim de semana inesquecível em Cabo Frio, hospedada por Scliar, que pintou dois retratos meus. O sobrado de Scliar é uma beleza mesmo. Cabo Frio inspira Scliar. Perguntei-lhe sobre tanta criatividade.
por Augusto Ferraz
Eu morri. Descobri isso quando, um dia, na calçada da Praça Maciel Pinheiro, ergui a cabeça, abri os olhos e avistei-me morto, ali, na calçada da praça, o sobrado do outro lado da rua. Meu coração despedaçado dentro do peito, o sobrado da rua do Aragão, 387, onde, no segundo andar, Clarice Lispector viveu uma infância feliz, aqui no Recife, apesar das dores do mundo e de viver e sentir, principalmente, as dores de uma doença implacável que um dia arrancaria Mania, a sua mãe, de perto de si.
por Bruno Cosentino
A ligação de Clarice com a política não se dá na superfície da vida pública, tampouco nos textos que abordam diretamente a questão. Isso se deve a uma compreensão da escritora sobre a fratura entre arte e política, abordada em dois textos irmãos, “Literatura e justiça” e “O que eu queria ter sido”, nos quais constata com lucidez desconcertante a inutilidade de sua literatura como instrumento político.
por Elizama Almeida
Dentre os itens que compõem o Acervo Clarice Lispector, que se encontra no IMS desde 2004, estão dois quadros pintados pela autora
por Marina Colasanti
O dia em que conheci Clarice não foi o mesmo em que ela me conheceu. Eu, toda adoração, observando-a, ela, sem motivo algum para pousar o olhar em mim. Saindo juntos da redação do Jornal do Brasil, o jornalista Yllen Kerr, grande amigo meu, disse que estava indo visitar Clarice e perguntou se eu queria ir. Queria muito, muitíssimo!
por Elizama Almeida
Ulisses foi o último cão de Clarice Lispector, um vira-lata que roubava cigarros e filava e uísque das visitas. De tão excêntrico, ganhou uma robusta nota em O Pasquim.