Ouvir música não é somente uma atividade prazerosa, mas quase necessária para aqueles cujo ofício é incorporar a palavra – mistura de som e silêncio – como forma de iluminar a existência. Nos arquivos de Clarice Lispector, Otto Lara Resende e Decio de Almeida Prado há diversos discos que nos ajudam a conhecer um pouco o gosto musical desses três escritores.
Clarice Lispector, por exemplo, foi explícita em relação ao que a música significava para ela. Em Água viva, confessa: “Vejo que nunca te disse como escuto música – apoio de leve a mão na eletrola e a mão vibra espraiando ondas pelo corpo todo: assim ouço a eletricidade da vibração, substrato último no domínio da realidade, e o mundo treme nas minhas mãos”.
Capas de discos de Clarice Lispector: à esquerda, St. Mattew Passion, de J. S. Bach, por Concertgebouw Orchestra of Amsterdam; à direita, The complete string quartets of Ludwig von Beethoven, por Budapest String Quartet. Arquivo Clarice Lispector / Acervo IMS.
À esquerda, Jeanne D’Arc au bucher, de Arthur Honegger, por The Philadelphia Orchestra; à direita, Othello, de W. Shakespeare, com Paul Robeson, José Ferrer, Uta Hagen e Edith King. Arquivo Clarice Lispector / Acervo IMS.
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