O novo website de Clarice Lispector, lançado no centenário da escritora, em 10 de dezembro de 2020, foi premiado, no último mês de dezembro, com o segundo lugar na categoria de melhor Design Digital, do Brasil Design Award.
A premiação acontece desde 2009 e é organizada pela Associação Brasileira de Empresas de Design com o objetivo de reconhecer e destacar a capacidade criativa e inovadora do design brasileiro. Atualmente, é o maior prêmio nacional de design, do qual participam as principais casas criativas do país.
A página oficial de Clarice Lispector foi desenvolvida pelo Estúdio Cru em parceria com a Coordenadoria de Literatura do Instituto Moreira Salles, que guarda parte importante do acervo da escritora. Os diretores da agência, Bernardo Winitskowski e Maria Alice Leal, explicam a proposta:
“A ideia era criar uma experiência imersiva que transmitisse os princípios da obra da autora: visceral, poética e labiríntica. Essa experiência, que chamamos de narrativa, é uma forma não linear de navegar pela linha do tempo. O ponto de partida foi um processo de pesquisa e investigação profundas. Junto à equipe de literatura do IMS, desenvolvemos uma narrativa, selecionando os principais elementos gráficos e de conteúdo que fossem capazes de criar o efeito desejado no usuário.”
A equipe do Estúdio Cru que participou da criação do novo site de Clarice Lispector foi composta pelos designers Felipe Barbosae Fernanda Morgan, com desenvolvimento de Pedro Rivera e da Raincake (liderada por Heric Reis e Letícia Yokoi), produção de Maria Alice Leal e Alexandre Caetano e gestão de projeto de Gérome Ibri. A curadoria, pesquisa e conteúdo ficaram sob a responsabilidade de Eucanaã Ferraz, Bruno Cosentino e Elizama Almeida, do Instituto Moreira Salles.
A ligação de Clarice com a política não se dá na superfície da vida pública, tampouco nos textos que abordam diretamente a questão. Isso se deve a uma compreensão da escritora sobre a fratura entre arte e política, abordada em dois textos irmãos, “Literatura e justiça” e “O que eu queria ter sido”, nos quais constata com lucidez desconcertante a inutilidade de sua literatura como instrumento político.
O filme retrata o célebre Ulisses, cachorro de Clarice Lispector e personagem de destaque em sua vida e ficção. Ele está presente no romance póstumo Um sopro de vida, é o narrador do livro infantil Quase de verdade, foi citado em inúmeras crônicas e hoje está imortalizado, ao lado de sua dona, em uma estátua de bronze na amurada da praia do Leme, no Rio de Janeiro.
Na década de 1960, o espanhol Jaime Vilaseca era marceneiro no Rio de Janeiro, até que um encontro com Clarice Lispector mudou sua vida. A escritora encomendara a ele uma estante de livros, que foi feita e montada em seu apartamento, no bairro do Leme. Durante aqueles dias, silenciosamente, observara-o trabalhando e, terminado o móvel, olhou para ele e disse: "Você vai ser moldureiro. Não vai escapar ao seu destino!".
Caetano Veloso conta que quando mostrou sua canção “Odeio” para o amigo e compositor Jorge Mautner, este teria chorado e lhe dito que aquela era a canção de amor mais bonita que já tinha ouvido.