A biografia de Clarice Lispector escrita por Benjamin Moser, Why this world (Oxford University Press, 2009), segue circulando pelo mundo. Publicada no Brasil também em 2009 pela Cosac Naify, com tradução de José Geraldo Couto, a obra ganhou nova edição este ano, desta vez pela Companhia das Letras. Intitulada Clarice,, a biografia reeditada conta com novas fotos, imagens raras, cartas e manuscritos descobertos pelo próprio Moser.
O livro chega agora aos países de língua espanhola. A editora madrilenha Siruela lançou Por qué este mundo. Una biografía de Clarice Lispector (trad. Cristina Sánchez-Andrade) em setembro na Europa e começou a distribui-lo na América Latina este mês. Os novos lançamentos darão oportunidade aos leitores hispanófonos de entrar em contato com uma “biografia digna de sua protagonista”, segundo Orhan Pamuk, escritor turco vencedor do prêmio Nobel. “Enfim, uma das autoras mais enigmáticas do século XX retratada em todo seu vibrante colorido”.
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A palavra “infamiliar” é um neologismo que Clarice Lispector utilizou em vários momentos de sua obra. O vocábulo não está dicionarizado na língua portuguesa e não se pode afirmar que a autora seja a primeira a criá-lo na literatura brasileira. No entanto, ao mencionar a palavra “infamiliar” ao menos dezesseis vezes, seja nos romances, seja em contos e crônicas, a autora faz desse significante singular um objeto de maior atenção.