IMS, Equipe. Site de Clarice Lispector é premiado. IMS Clarice Lispector, 2022. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2022/01/13/site-de-clarice-lispector-e-premiado/. Acesso em: 09 março 2026.
O novo website de Clarice Lispector, lançado no centenário da escritora, em 10 de dezembro de 2020, foi premiado, no último mês de dezembro, com o segundo lugar na categoria de melhor Design Digital, do Brasil Design Award.
A premiação acontece desde 2009 e é organizada pela Associação Brasileira de Empresas de Design com o objetivo de reconhecer e destacar a capacidade criativa e inovadora do design brasileiro. Atualmente, é o maior prêmio nacional de design, do qual participam as principais casas criativas do país.
A página oficial de Clarice Lispector foi desenvolvida pelo Estúdio Cru em parceria com a Coordenadoria de Literatura do Instituto Moreira Salles, que guarda parte importante do acervo da escritora. Os diretores da agência, Bernardo Winitskowski e Maria Alice Leal, explicam a proposta:
“A ideia era criar uma experiência imersiva que transmitisse os princípios da obra da autora: visceral, poética e labiríntica. Essa experiência, que chamamos de narrativa, é uma forma não linear de navegar pela linha do tempo. O ponto de partida foi um processo de pesquisa e investigação profundas. Junto à equipe de literatura do IMS, desenvolvemos uma narrativa, selecionando os principais elementos gráficos e de conteúdo que fossem capazes de criar o efeito desejado no usuário.”
A equipe do Estúdio Cru que participou da criação do novo site de Clarice Lispector foi composta pelos designers Felipe Barbosae Fernanda Morgan, com desenvolvimento de Pedro Rivera e da Raincake (liderada por Heric Reis e Letícia Yokoi), produção de Maria Alice Leal e Alexandre Caetano e gestão de projeto de Gérome Ibri. A curadoria, pesquisa e conteúdo ficaram sob a responsabilidade de Eucanaã Ferraz, Bruno Cosentino e Elizama Almeida, do Instituto Moreira Salles.
O Brazil LAB é uma iniciativa interdisciplinar da Universidade de Princeton que considera o Brasil um nexo crucial para entendermos as questões mais prementes da atualidade. Sediado no PIIRS (Instituto de Estudos Internacionais e Regionais de Princeton), o LAB reúne professores(as), pesquisadores(as) e estudantes de mais de 20 diferentes departamentos da universidade (das ciências sociais às naturais, das engenharias às artes e humanidades) em interação com dezenas de pesquisadores(as) de instituições acadêmicas de excelência.
A frequente alusão às empregadas domésticas no ambiente urbano de suas crônicas demonstra o que é uma realidade para várias famílias de classe média no país: incorporada ao ambiente íntimo da casa na condição de um “outro domesticado”, a empregada doméstica constitui a relação mais duradoura, e pessoal, que um membro da classe média se permite estabelecer com a pobreza.
A edição de número 227, de 25 de maio de 1940, traz em três páginas o conto “Triunfo” – a primeira colaboração de Clarice Lispector na imprensa de que se tem registro.
Mais ou menos fantásticas em seus enredos, essas histórias infantis revelam narradoras que, despidas quase por completo da instância ficcional, em muito se assemelham à autora: são mães, escritoras, assinam “C.L.” ou até mesmo dizem se chamar Clarice. Assim, se há nessas narradoras uma postura horizontal em que se pressupõe o respeito às particularidades da infância, nesse mesmo movimento flagra-se também o desejo de se tornar um pouco mais criança.
Clarice Lispector passou a infância em Recife, mas aos 15 anos se mudou com o pai e as duas irmãs para o Rio de Janeiro. Foi na então capital federal que a escritora viveu a juventude e o início da vida adulta: concluiu o ensino médio, se formou na faculdade de direito, teve as primeiras experiências profissionais na imprensa, se casou e, em 1943, lançou seu primeiro livro Perto do coração selvagem.