“E agora — agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas — mas eu também?! Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.”
Nota usada no 495º e 496º parágrafos de A hora da estrela. A caligrafia é de Clarice.
“Morta, os sinos badalavam mas sem que seus bronzes lhes dessem som. Agora entendo esta história. Ela é a iminência que há nos sinos que quase-quase badalam.”
Nota usada no 488º parágrafo de A hora da estrela. As caligrafias são de Clarice e de Olga Borelli (observação entre parênteses, ao alto, à esquerda).
[desenhos] I tried to speak to you but I couldn’t find you. I’ll leave today, 29, and want to thank you again for all your kindness. Many happiness to you and to your family.
“Mas que não se lamentem os mortos: eles sabem o que fazem. Eu estive na terra dos mortos e depois do terror tão negro ressurgi em perdão. Sou inocente! Não me consumam! Não sou vendável! Ai de mim, todo na perdição e é como se a grande culpa fosse minha. Quero que me lavem as mãos e os pés e depois — depois que os untem com óleos santos de tanto perfume. Ah que vontade de alegria. Estou agora me esforçando para rir em grande gargalhada. Mas não sei por que não rio. A morte é um encontro consigo. Deitada, morta, era tão grande como um cavalo morto. O melhor negócio é ainda o seguinte: não morrer, pois morrer é insuficiente, não me completa, eu que tanto preciso.”
Nota usada no 484º parágrafo de A hora da estrela. A caligrafia é de Olga Borelli.
“Qual foi a verdade de minha Maca? Basta descobrir a verdade que ela logo já não é mais: passou o momento. Pergunto: o que é? Resposta: não é.”
Nota usada no 483º parágrafo de A hora da estrela. As caligrafias são de Clarice e de Olga Borelli (observação entre parênteses, ao alto, e anotação embaixo, à esquerda).
Na obra de arte cada traço tem que surgir apenas uma vez. Se não será a obra de arte pensada pelo autor. E não a coisa em si mesma.
“Até tu, Brutus?! Sim, foi este o modo como eu quis anunciar que — que Macabéa morreu. Vencera o Príncipe das Trevas. Enfim a coroação.”
Nota usada no 481º e 482º parágrafos de A hora da estrela. A caligrafia é de Olga Borelli.
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