Na 35º edição do Salão do Livro de Paris, um dos mais importantes eventos literários atualmente, o Brasil foi o país homenageado. A programação aconteceu entre os dias 20 e 23 de março desse ano e foi marcada por uma exposição dedicada à Clarice Lispector no espaço da Éditions des Femmes, casa editorial responsável pelo lançamento de Mes chéries – Lettres à ses sœurs. O livro, organizado por Teresa Monteiro e prefaciado por Nádia Battella Gotlib, é composto por 120 cartas enviadas às irmãs Tânia e Elisa Lispector durante as décadas de 1940 e 1950, período em que Clarice acompanhou o marido diplomata Maury Gurgel Valente por diversos países. Mes chéries, que já foi traduzido e publicado em espanhol (Queridas mías) pela editora Siruela, revela um lado íntimo e afetivo da autora.
Também por ocasião do Salão do Livro, a entrevista de Paulo Gurgel Valente, produzida pelo Instituto Moreira Salles como uma das celebrações do evento Hora de Clarice, em dezembro de 2014, foi legendada e transmitida no espaço da editora francesa.
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O filme Dias de Clarice em Washington captura um momento bastante diferente e decisivo da vida e da obra da escritora, quando vivia na capital norte-americana com a família, entre 1952 e 1959. Além de expressivo número de fotografias inéditas – que registram o ambiente doméstico e o convívio com amigos – há imagens preciosas filmadas durante evento público, no qual aparecem a escritora, seu marido, Mauri Gurgel Valente, o filho Paulo, além de amigos do casal.
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Além de confirmar o valor do gênero biográfico como meio privilegiado de atender às reivindicações de um público curioso sobre o passado de personalidades famosas, Teresa Montero desafia as convenções do gênero, ao reconstituir a vida familiar, as experiências pessoais, as amizades e o processo de criação de Clarice Lispector, uma autora que, com todas as suas forças, fez existir a sua vocação para a literatura como fatalidade e salvação.