Clarice Lispector na Feira do Livro de Buenos Aires

Clarice Lispector será homenageada no estande do Brasil na 44ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, que acontecerá entre os dias 24 de abril e 14 de maio.

O projeto prevê uma exposição multi-linguagens em torno da escritora brasileira, composta por um grande painel com sua imagem, biografia e fragmentos de sua obra; livros à venda em edições para português e espanhol; projeção de vídeos com entrevistas sobre ela; além da réplica de sua estátua, cujo original se encontra na pedra da praia do Leme, no Rio de Janeiro, ao lado da qual os visitantes poderão tirar fotos.

No dia 5 de maio, dedicado ao Brasil, o estande ainda promoverá uma leitura de diálogos da autora por cinco atores argentinos, ao que se seguirá uma sessão de interpretação de seus textos pela atriz Luísa Kuliok, em auditório para até mil pessoas.

*Foto: Fotógrafo não identificado/ Arquivo Clarice Lispector/ IMS

“O lustre” é publicado em inglês

O lustre, segundo romance de Clarice Lispector, publicado em 1946, ganhou recente tradução para o inglês, realizada por Benjamin Moser e Magdalena Edwards. O novo título, The chandelier, é mais um da série de traduções de obras da autora que vêm sendo publicadas nos últimos anos. Em depoimento ao The New York Times, Moser observa que talvez esse seja o livro mais estranho e difícil da escritora brasileira (nascida na Ucrânia, em 1920). O crítico britânico Christopher Ricks, por sua vez, enxerga nele uma miniatura do universo de Clarice:

Muitos temas, indagações filosóficas e tipos de personagem que aparecem [em O lustre] retornarão depurados na medida em que Clarice refina seu estilo e os cristaliza nos diamantes perfeitos que serão seus últimos livros, narrados com aforismos e fragmentos — que ela chamava de “antiliteratura”.

O jornal americano ainda celebra a redescoberta de Clarice nos Estados Unidos como um dos verdadeiros acontecimentos literários do século XXI, ressaltando a singularidade de sua escrita, marcada por uma pontuação e uma sintaxe únicas, além de uma capacidade de ressignificar as palavras segundo seu próprio desejo — “Ninguém se parece com Lispector (…). Ninguém pensa como ela”, conclui o jornalista Parul Sehgal.

Alguns dias depois do destaque dado a The chandelier pelo jornal americano, o editor Gregory Cowles incluiu o título na lista de dez sugestões de leitura que fez para a prestigiada coluna Book Review.

Leia aqui a matéria do The New York Times.

*Foto: Fotógrafo não identificado/ Arquivo Clarice Lispector/ IMS