O lustre, segundo romance de Clarice Lispector, publicado em 1946, ganhou recente tradução para o inglês, realizada por Benjamin Moser e Magdalena Edwards. O novo título, The chandelier, é mais um da série de traduções de obras da autora que vêm sendo publicadas nos últimos anos. Em depoimento ao The New York Times, Moser observa que talvez esse seja o livro mais estranho e difícil da escritora brasileira (nascida na Ucrânia, em 1920). O crítico britânico Christopher Ricks, por sua vez, enxerga nele uma miniatura do universo de Clarice:
Muitos temas, indagações filosóficas e tipos de personagem que aparecem [em O lustre] retornarão depurados na medida em que Clarice refina seu estilo e os cristaliza nos diamantes perfeitos que serão seus últimos livros, narrados com aforismos e fragmentos — que ela chamava de “antiliteratura”.
O jornal americano ainda celebra a redescoberta de Clarice nos Estados Unidos como um dos verdadeiros acontecimentos literários do século XXI, ressaltando a singularidade de sua escrita, marcada por uma pontuação e uma sintaxe únicas, além de uma capacidade de ressignificar as palavras segundo seu próprio desejo — “Ninguém se parece com Lispector (…). Ninguém pensa como ela”, conclui o jornalista Parul Sehgal.
Alguns dias depois do destaque dado a The chandelier pelo jornal americano, o editor Gregory Cowles incluiu o título na lista de dez sugestões de leitura que fez para a prestigiada coluna Book Review.
Leia aqui a matéria do The New York Times.
*Foto: Fotógrafo não identificado/ Arquivo Clarice Lispector/ IMS
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