Adélia Oliveira lê um trecho do conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector. O vídeo faz parte da edição 2021 da Hora de Clarice, uma celebração ao aniversário da escritora organizada pelo IMS: https://horadeclarice.ims.com.br
Como convite para o público adentrar o universo clariceano, que dialoga com a infância em seus textos voltados para o público adulto, a equipe de Educação do IMS Rio convidou Adélia Oliveira para ler um trecho do conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector. Tal universo é profícuo ao nos convidar a adentrar paisagens internas de suas personagens num trabalho peculiar e instigante com a linguagem. No vídeo, a narradora recifense também rememora uma experiência pessoal que dialoga com o texto de Clarice e nos convida a partilhar nossas próprias histórias.
O vídeo foi produzido para o curso “Infâncias em Clarice”, que ocorreu em novembro de 2021.
Adélia Oliveira Narradora de histórias de ofício e criadora de imagens. Suas criações em ilustrações fazem referência a lembranças e inspirações da sua e de outras infâncias. Considera que tudo em seu trabalho e em si narra histórias. Elementos visuais únicos, música, palavra solta e liberdade são os propósitos de seu fazer.
The complete stories, volume de contos de Clarice Lispector organizado por Benjamin Moser, foi indicado na prestigiosa lista de 100 melhores livros de 2015
O Brazil LAB é uma iniciativa interdisciplinar da Universidade de Princeton que considera o Brasil um nexo crucial para entendermos as questões mais prementes da atualidade. Sediado no PIIRS (Instituto de Estudos Internacionais e Regionais de Princeton), o LAB reúne professores(as), pesquisadores(as) e estudantes de mais de 20 diferentes departamentos da universidade (das ciências sociais às naturais, das engenharias às artes e humanidades) em interação com dezenas de pesquisadores(as) de instituições acadêmicas de excelência.
Escrita nos anos 1950, durante o período em que morou em Washington, O mistério do coelho pensante foi a primeira obra destinada a crianças escrita por Clarice Lispector
Existe um aspecto dos escritos claricianos que é – parece-nos – menos observado. Trata-se da sensibilidade social e política da escritora. [...] Clarice deixa perceber em seus escritos – romances, crônicas ou contos – uma verdadeira abertura ao outro e sua diferença e sobretudo sua vulnerabilidade.
Em um livro pequeno, vasto e reluzente chamado Três degraus na escada da escrita, de Hélène Cixous (1993), a autora é levada a três escolas por escritores que ama: a Escola dos Mortos, a dos Sonhos e a das Raízes. Um dos livros que transportam Cixous para a Escola dos Sonhos é o segundo romance publicado de Clarice Lispector, O lustre.
Mariana Lima lê um trecho do livro A mulher que matou os peixes, de Clarice Lispector. O vídeo faz parte da edição 2021 da Hora de Clarice, uma celebração ao aniversário da escritora organizada pelo IMS: https://horadeclarice.ims.com.br
Dialogando com as temáticas e questões de sua literatura “adulta”, os livros infantis de Clarice Lispector valorizam a fruição estética e o respeito ao leitor criança com o qual a narradora dialoga constantemente. A literatura infantil de Clarice é um marco na produção do gênero no Brasil, no entanto ainda é desconhecida por muitos e estudada por poucos. Buscando lançar olhares adultos e infantis para essa produção, a equipe de Educação do IMS Rio chamou a atriz Mariana Lima para criar uma leitura dramática do livro “A mulher que matou os peixes”. O vídeo foi produzido para o curso “Infâncias em Clarice”, que ocorreu em novembro de 2021.
Mariana Lima é atriz e produtora brasileira. Entre importantes trabalhos na dramaturgia brasileira, idealizou e atuou na peça de teatro “A mulher que matou os peixes… e outros bichos”.
Estudos sobre a obra clariciana continuam a ser desenvolvidos em universidades estrangeiras. Em 2017, foi realizado, na Universidade de Oxford, um amplo seminário sobre a autora
Escuridão é uma palavra oca e nunca se sabe bem o que cabe dentro dela. De tal forma suas dimensões são indeterminadas que talvez se possa dizer até mesmo que nela cabe tudo e não cabe nada, pois, sendo um imenso celeiro de paradoxos, ao vazio primordial que a caracteriza soma-se imediatamente a qualidade equívoca da desmedida. Atributos que, assim pactuados, ganham particular densidade quando lavrados pelas mãos da autora de A maçã no escuro.
Em 1970, Clarice Lispector começou a escrever a obra que viria a ser chamada de Água viva.Publicado no final de agosto de 1973 pela Artenova, reproduz-se a seguir um manuscrito
[...] por toda a obra de Clarice se manifesta uma deslumbrada – quase primordial, inaugural, edênica – visão do gênero, da divisão homem-mulher. Nota-se um fascínio assustado de haver no mundo um homem-macho-animal, como lemos por exemplo no conto “O búfalo”, e também nesse outro conto sobre a masculinidade fantásmica e monstruosa que é “O jantar”.
A escritora Ana Maria Machado viveu um episódio inusitado e emocionante com Clarice Lispector. Isso aconteceu em 1975. Após ter lido um artigo publicado por Ana Maria sobre o aniversário do escritor Roland Barthes, naquele dia, no Jornal do Brasil, Clarice, que não a conhecia pessoalmente, pediu ajuda insistentemente a ela para organizar o que seria dali a dois anos o livro A hora da estrela. No fim do dia, após volteios repletos de tensão, a então jovem Ana Maria foi visitar a admirada Clarice Lispector, de quem era fã. Voltou para casa atordoada com o encontro e escreveu no calor do momento o rascunho de um texto que ficaria guardado por mais de 40 anos. O texto foi finalmente publicado, com pequenas alterações, na revista Serrote, em 2020. Neste vídeo, produzido pela Coordenadoria de Literatura do IMS, a história — e o desfecho dela — é contada pela própria Ana Maria Machado, que reconstitui aquele dia “estranho” e faz comentários emocionados sobre o encontro entre as duas. Visita, por fim, o acervo de Clarice Lispector, guardado pelo Instituto Moreira Salles, e revê os manuscritos de A hora da estrela, os mesmos que décadas antes a própria Clarice lhe havia mostrado, dispersos em uma caixa, em súplica.
A frequente alusão às empregadas domésticas no ambiente urbano de suas crônicas demonstra o que é uma realidade para várias famílias de classe média no país: incorporada ao ambiente íntimo da casa na condição de um “outro domesticado”, a empregada doméstica constitui a relação mais duradoura, e pessoal, que um membro da classe média se permite estabelecer com a pobreza.
Em janeiro de 1975, Clarice Lispector recebeu uma carta-convite, assinada por Simón González, empresário, político e místico colombiano, convidando-a a tomar parte no Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, que seria realizado entre 24 e 28 de agosto daquele mesmo ano em Bogotá, na Colômbia. [...] Mas por que Clarice Lispector foi convidada para o Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria?
Em um livro pequeno, vasto e reluzente chamado Três degraus na escada da escrita, de Hélène Cixous (1993), a autora é levada a três escolas por escritores que ama: a Escola dos Mortos, a dos Sonhos e a das Raízes. Um dos livros que transportam Cixous para a Escola dos Sonhos é o segundo romance publicado de Clarice Lispector, O lustre.
Escuridão é uma palavra oca e nunca se sabe bem o que cabe dentro dela. De tal forma suas dimensões são indeterminadas que talvez se possa dizer até mesmo que nela cabe tudo e não cabe nada, pois, sendo um imenso celeiro de paradoxos, ao vazio primordial que a caracteriza soma-se imediatamente a qualidade equívoca da desmedida. Atributos que, assim pactuados, ganham particular densidade quando lavrados pelas mãos da autora de A maçã no escuro.
A palavra “infamiliar” é um neologismo que Clarice Lispector utilizou em vários momentos de sua obra. O vocábulo não está dicionarizado na língua portuguesa e não se pode afirmar que a autora seja a primeira a criá-lo na literatura brasileira. No entanto, ao mencionar a palavra “infamiliar” ao menos dezesseis vezes, seja nos romances, seja em contos e crônicas, a autora faz desse significante singular um objeto de maior atenção.