O escritor e crítico literário espanhol Jorge Carrión publicou recentemente, no New York Times, um ensaio sobre a vida e a obra de Clarice Lispector (“La pasión según Clarice Lispector”). O autor parte da leitura de Por qué este mundo, a biografia de Clarice escrita por Benjamin Moser, recém-lançada em tradução espanhola pela editora Siruela, para abordar questões mais amplas relacionadas à obra clariceana:
Ela não gostava de entrevistas e a ficção, em seu caso, é muito mais importante, incisiva e eloquente do que a não ficção. Ao ler seus romances e contos, poderíamos concluir que é uma escritora hermética, próxima ao misticismo. Porém, creio que, pelo contrário, ela é uma artista absolutamente contemporânea, que resolveu em sua obra uma das grandes questões literárias da nossa época: como escrever com ambição abstrata paisagens mentais com palavras figurativas.
Ou seja, para Carrión, a obra de Clarice é “corporal, totalmente vital e sanguínea”, embora esteja coalhada de metáforas e mistérios. Essa característica, ainda segundo o crítico, aproximaria sua prosa da poesia. Por isso, talvez, ela escrevesse como se fosse para salvar a vida de alguém, talvez a dela própria, como disse em Um sopro de vida.
Leia o ensaio de Carrión, em espanhol, clicando aqui.
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