No Hora de Clarice 2025, celebraremos nas vozes e atuações das crianças, o livro infanto-juvenil A vida íntima de Laura, publicado por Clarice Lispector em 1974. Neste filme, seis crianças recontam, atuam, ilustram e co-dirigem a história da galinha Laura, de seu marido Luís e de seu filho Hermany no galinheiro de Dona Luísa.
O curta-metragem é fruto de um trabalho que aconteceu durante o ano letivo de 2025 e envolveu profissionais do Departamento de Literatura e alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, unindo educação, literatura e arte, em três etapas. Na fase da preparação, cada criança recebeu um exemplar do livro (doados pela editora Rocco) e participou de uma atividade de leitura compartilhada; num segundo momento, discutiram a história com seus pais e mães em casa; já na terceira etapa – criativa e artística – elas fizeram um trabalho de encenação de algumas passagens da história e de ilustração de três cenas. São esses os desenhos que dão colorido ao filme em uma releitura inédita da história da galinha Laura.
O concerto Outra hora da estrela teve direção de Eucanaã Ferraz, e performance de Jussara Silveira, Marcelo Costa, Muri Costa e Bebe Kramer. A narração foi de João Miguel
No centro do conto “A menor mulher do mundo” há a remissão a uma fotografia que teria sido publicada em reportagem sobre uma expedição de um explorador à África Equatorial em um “suplemento dominical”. O dado poderia ser tomado como invenção ficcional, mas a existência de uma suposta reportagem é reforçada por “A explicação inútil”, texto publicado no “Fundo de gaveta” de A legião estrangeira, de 1964, sobre a gênese dos contos que compunham o volume anterior da autora, Laços de família, de 1960.
Eu morri. Descobri isso quando, um dia, na calçada da Praça Maciel Pinheiro, ergui a cabeça, abri os olhos e avistei-me morto, ali, na calçada da praça, o sobrado do outro lado da rua. Meu coração despedaçado dentro do peito, o sobrado da rua do Aragão, 387, onde, no segundo andar, Clarice Lispector viveu uma infância feliz, aqui no Recife, apesar das dores do mundo e de viver e sentir, principalmente, as dores de uma doença implacável que um dia arrancaria Mania, a sua mãe, de perto de si.
A edição de número 227, de 25 de maio de 1940, traz em três páginas o conto “Triunfo” – a primeira colaboração de Clarice Lispector na imprensa de que se tem registro.
Na década de 1960, o espanhol Jaime Vilaseca era marceneiro no Rio de Janeiro, até que um encontro com Clarice Lispector mudou sua vida. A escritora encomendara a ele uma estante de livros, que foi feita e montada em seu apartamento, no bairro do Leme. Durante aqueles dias, silenciosamente, observara-o trabalhando e, terminado o móvel, olhou para ele e disse: "Você vai ser moldureiro. Não vai escapar ao seu destino!".