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se compreendessem com a consciência e a cabeça. Era um contato errado, provocava uma aridez, um curto circuito! A comunicação tinha que ser entre alguém que não fosse perturbado pela consciência do outro. E esse outro, sem consciência, teria em si mesmo apenas uma

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amizades suas tinham secado por causa de um momento essencial e da espécie de repulsa que se seguia.

Não parecia “natural” — e no caso “natural” era o antônimo de “pervertido” — não parecia natural que pessoas

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coisa importante logo o notavam, os olhos piscavam. Não a respeito tot da própria coisa supostamente, mas a respeito de um modo consciente, com pudor [mútuo] a respeito do fato de tocarem em coisas importantes. Muitas

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Mas a comunicação não [adiantava]. No fundo mesmo, ele não a queria. Já experimentara mil vezes a comunicação, e era sempre alguma coisa de seca e consciente. Com amigos: [conversavam], [conversavam], e se por um momento se diziam alguma

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“Rien de l’imagination volontaire des professionnels. Ni thèmes, ni développements, ni construction, ni méthode.” (H.M.)

“…expérimenter les pouvoirs de l’esprit…”
Bertelé

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Há um acontecimento que me cerca, ele me é devido, ele me é parecido. Ele é de fora ou de dentro? Está custando a se aproximar. Eu sinto mais como um mal-estar. Estou certo de que ele tudo resolverá. Já tenho mesmo saudade deste tempo vivido sem ele, onde me

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vácuo. Leão entediado. Escrevo bem, etc. mas falta uma coisa. Sugiro que falo sem ter o que dizer — ele silencia. Vazio humano. Falta qualquer coisa de vida.
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A impressão com que fiquei é a de que cheguei a um impasse, a um beco sem saída, a pura [palavra], que não diga mais nada. A impressão é a de que ele acha que eu acabei, a menos que

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eu mude. Que estou árida, e sem sentido. A impressão é a de que ele acha uma beleza inútil e um pouco preciosa e vazia. Ele não sabe “para que” eu escrevo — essa é a impressão. Parece-lhe (acho) que eu não tenho nem ideias, de onde partir, nem assuntos para onde ir. No primeiro livro ainda pareço “interessada”, depois tudo fica igual.

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Sabe que sou uma pessoa que vive adiando — o que?

Fiquei de novo diante de mim, boba. Não sei o que fazer. Que sou? Realmente, não posso nem de longe escrever como escrevo. Ou deixo definitivamente de escrever ou escrevo de outro modo. Não posso ficar em arabescos. Se eu não tenho mais nada a dizer, que eu morra.

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Mistério em S. Cristóvão é já diferente, melhor.