, Sem fórmulas. IMS Clarice Lispector, 2014. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2014/04/28/sem-formulas/. Acesso em: 06 janeiro 2026.
Em 1970, Clarice Lispector começou a escrever a obra que viria a ser chamada de Água viva. De acordo com Nádia Gotlib na “Memória seletiva” publicada no número especial dos Cadernos de Literatura Brasileira sobre Clarice:
Incorporando notas antigas, começa a trabalhar em um novo romance intitulado Atrás do pensamento: monólogo com a vida. O livro, que em fase posterior seria chamado Objeto gritante, por fim se definiria como Água viva e sairia sob o amplo gênero “ficção”, diante do entendimento da própria autora de que ultrapassara as classificações convencionais da narrativa literária.
Capa da 1ª edição de Água viva, publicado em 1973 pela Artenova. Biblioteca Ana Cristina César / Acervo IMS
A professora Clarisse Fukelman faz uma análise de Água viva e diz que, nessa obra, a autora “radicaliza processos inovadores de escrita que já experimentara em publicações anteriores” e desenvolve um livro em que “não há história linear nem tema central”.
Água viva foi publicado no final de agosto de 1973 pela editora Artenova. Reproduz-se a seguir um trecho manuscrito da obra sob a guarda do Instituto Moreira Salles, seguido de sua transcrição.
Trecho manuscrito do livro Água viva, de Clarice Lispector. Arquivo Clarice Lispector / Acervo IMS
Calo-me.
Porque não sei qual é o meu segredo. Conta-me o teu, ensina-me sobre o secreto de cada um de nós. Não é segredo difamante. É apenas esse isto: segredo.
Acredito que Clarice e eu compartilhávamos uma sensação comum: os objetos não são inanimados, ao contrário, têm uma vida secreta. Não sei se o leitor já fez a experiência de, à noite, desligar as luzes de sua sala e, aos poucos, observar que seus olhos se adaptam ao es- curo e finalmente você consegue perceber a presença viva das coisas.
O texto a seguir nasceu a partir de uma pesquisa da correspondência entre Clarice Lispector e suas irmãs Tania Kauffman e Elisa Lispector, sob a guarda do IMS
O filme retrata o célebre Ulisses, cachorro de Clarice Lispector e personagem de destaque em sua vida e ficção. Ele está presente no romance póstumo Um sopro de vida, é o narrador do livro infantil Quase de verdade, foi citado em inúmeras crônicas e hoje está imortalizado, ao lado de sua dona, em uma estátua de bronze na amurada da praia do Leme, no Rio de Janeiro.
No Hora de Clarice 2025, celebraremos nas vozes e atuações das crianças, o livro infanto-juvenil A vida íntima de Laura, publicado por Clarice Lispector em 1974. Neste filme, seis crianças recontam, atuam, ilustram e co-dirigem a história da galinha Laura, de seu marido Luís e de seu filho Hermany no galinheiro de Dona Luísa.
Em fevereiro de 1977, Clarice visita a TV Cultura e aceita o convite para ser entrevistada pelo jornalista Júlio Lerner, apresentador de programa “Panorama Especial”