, Hora de Clarice 2016. IMS Clarice Lispector, 2017. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2017/01/16/hora-de-clarice-2016/. Acesso em: 06 janeiro 2026.
Celebrado na Argentina, Nova York e Paris, o Hora de Clarice 2016, organizado pelo Instituto Moreira Salles, dividiu-se no último ano entre o tema epistolar e o da tradução.
A obra de Clarice Lispector tem se consolidado por meio de recentes traduções para o francês, espanhol, grego, e, sobretudo, para o inglês. É bem verdade que a publicação de todos os contos na edição única The Complete Stories, incluída na lista de melhores livros do New York Times, provocou uma nova onda de leitores ou curiosos. A transposição árdua e, ao mesmo tempo, delicada das histórias claricianas em português para o inglês ficou sob responsabilidade de Katrina Dodson – cujo empenho foi reconhecido e vencedor do Pen Translation Prize.
Um pouco mais do trabalho de tradução pôde ser conhecido no dia 10 de dezembro de 2016, com um bate-papo entre Katrina Dodson e Paloma Vidal, poeta e professora brasileira que traduziu e prefaciou Un soplo de vida (Um sopro de vida) e La legión extranjera (A legião estrangeira), publicados pela editora argentina Corregidor em 2010 e 2011.
Na segunda parte da celebração, o Hora de Clarice se deteve no farto conjunto de afetuosas cartas enviadas por Clarice às irmãs, Tania Kaufman e Elisa Lispector, no período em que esteve fora do Brasil. A partir da seleção desse conjunto de mais de 150 itens, sob a guarda do IMS, dirigidas por Bruno Lara Resende, às 18h30, as atrizes Georgiana Góes, Gisele Fróes e Raquel Iantas fizeram uma leitura de cartas – estão ali temas como a dificuldade de publicação de seu segundo romance, O lustre, a dinâmica do casamento, o término da segunda guerra mundial e o nascimento dos dois filhos, Pedro e Paulo.
Ambos os eventos podem ser conferidos integralmente logo abaixo:
Palestras com as tradutoras Paloma Vidal e Katrina Dodson no IMS
Leitura de cartas de Clarice Lispector às irmãs, Tania e Elisa Lispector
Eu morri. Descobri isso quando, um dia, na calçada da Praça Maciel Pinheiro, ergui a cabeça, abri os olhos e avistei-me morto, ali, na calçada da praça, o sobrado do outro lado da rua. Meu coração despedaçado dentro do peito, o sobrado da rua do Aragão, 387, onde, no segundo andar, Clarice Lispector viveu uma infância feliz, aqui no Recife, apesar das dores do mundo e de viver e sentir, principalmente, as dores de uma doença implacável que um dia arrancaria Mania, a sua mãe, de perto de si.
A consistência destas imagens é aquela da árvore, matéria vegetal, a madeira sendo o suporte destas duas pinturas. Num dos quadros as linhas verticais visivelmente seguem os desenhos oferecidos pela madeira, e criam uma espacialidade flácida e dura ao mesmo tempo.
Além de confirmar o valor do gênero biográfico como meio privilegiado de atender às reivindicações de um público curioso sobre o passado de personalidades famosas, Teresa Montero desafia as convenções do gênero, ao reconstituir a vida familiar, as experiências pessoais, as amizades e o processo de criação de Clarice Lispector, uma autora que, com todas as suas forças, fez existir a sua vocação para a literatura como fatalidade e salvação.
A obra de Clarice Lispector gira em torno de duas noções: o símbolo e a coisa. A coisa, a física e o símbolo, a metafísica; a coisa, a imanência, e o símbolo a transcendência; a coisa, o corpo, e o símbolo, a linguagem; a coisa, a existência, e o símbolo, o dizer; a coisa o acontecimento, e o símbolo a forma de dar a ler a não-simbolizável coisa.
Como convite para o público adentrar o universo clariceano, que dialoga com a infância em seus textos voltados para o público adulto, a equipe de Educação do IMS Rio convidou Adélia Oliveira para ler um trecho do conto "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector. Tal universo é profícuo ao nos convidar a adentrar paisagens internas de suas personagens num trabalho peculiar e instigante com a linguagem.
Neste vídeo, aproveitando sua passagem pelo Brasil, Elizama Almeida conversou com Claire Williams, professora da Universidade de Oxford e crítica da literatura de Clarice Lispector.
, Lispectorfest na Universidade do Tennessee. IMS Clarice Lispector, 2017. Disponível em: https://site.claricelispector.ims.com.br/2017/01/04/lispectorfest-na-universidade-do-tennessee/. Acesso em: 06 janeiro 2026.
Todo ano a Universidade do Tennesse prepara o Authorfest, uma série de atividades para celebrar a obra de um autor. Durante o mês de outubro de 2016, em sua segunda edição, o Authorfest homenageou Clarice Lispector.
Dentre os eventos oferecidos ao público, a partir de uma colaboração entre o departamento Modern Foreign Languages and Literatures e a Knox County Public Library, houve a leitura dirigida de O mistério do coelho pensante, uma exposição de trabalhos de artes desenvolvidos a partir do romance A paixão segundo G.H. pelo professor Rubens Ghenov, sessão do filme A hora da estrela, de Suzana Amaral, seguida de discussão mediada por Euridice Silva-Filho, professor pesquisador da UTK.
Uma das atividades mais esperadas do Lispectorfest foi a palestra de Katrina Dodson, tradutora de Complete stories (New Directions, 2016). Em “Rediscovering Clarice” Katrina comenta, a partir de sua própria experiência, a influência das recentes traduções na construção de uma espécie de lispectormania.
O IMS, em parceria com UT Knoxville’s College of Arts and Sciences, disponibiliza integralmente esta palestra.
*Agradecimento à Universidade do Tennessee, em especial à professora Wanessa Velloso.
Estudos sobre a obra clariciana continuam a ser desenvolvidos em universidades estrangeiras. Em 2017, foi realizado, na Universidade de Oxford, um amplo seminário sobre a autora
Na 35º edição do Salão do Livro de Paris, o Brasil foi o país homenageado. A programação foi marcada por uma exposição dedicada à Clarice na Éditions des Femmes.
Correio para mulheres, organizado por Aparecida Maria Nunes, reúne textos de Clarice Lispector para o público feminino, escritos em três momentos distintos da carreira da escritora.
Em um livro pequeno, vasto e reluzente chamado Três degraus na escada da escrita, de Hélène Cixous (1993), a autora é levada a três escolas por escritores que ama: a Escola dos Mortos, a dos Sonhos e a das Raízes. Um dos livros que transportam Cixous para a Escola dos Sonhos é o segundo romance publicado de Clarice Lispector, O lustre.
O texto a seguir nasceu a partir de uma pesquisa da correspondência entre Clarice Lispector e suas irmãs Tania Kauffman e Elisa Lispector, sob a guarda do IMS
Benjamin Moser, um dos mais importante biógrafos de Clarice Lispector, declarou numa entrevista que uma de suas ambições ao escrever Why This World, publicado nos Estados Unidos e traduzido como Clarice, uma Biografia, era o de promover um espaço ao questionamento de um tema muito pouco trabalhado por críticos literários, comentadores e biógrafos – a “judeidade” da escritora. Isso porque a grande maioria deles se limita à refletir sobre o tema da brasilidade, “como se fosse preciso escolher, entre ser judia e ser brasileira”.